Nada é mais triste que a morte da ilusão. [Guilt Machine]

Não me venha com perfeições, porque eu mesmo sou tosco e falho e rachado e imperfeito e, estranhamente, feliz assim. Não vem sendo sem defeitos nem intocável nem celestial pra cima de mim, pois só com palavras é muito fácil, aí vem a pele e arrisca estragar tudo. Vem presença lembrar que você respira, sua, dói… e é TÃO importante, o suor, a dor, o fôlego!

É difícil, não querer ser ideal, não aproveitar o anonimato da tela pra virar construto do que o outro lado espera. Mas se vier me encontrar, traz tua marreta, se arma do teu pior e me quebra. Sem medo. Porque eu decididamente vou querer fazer o mesmo. Descobrir o que pulsa por baixo, afinal. Quê me diz de cairmos juntos do pedestal, só pra testar se não temos mesmo asas?

gm_cover

Porque pesar o tempo todo tudo o que te digo contra o que realmente sou? Por quê te disse diferente, em algum momento? Vai ver a gente se moldou, aproveitando que um dia disseram que fomos barro. Nos pintamos mil cores em clara síndrome camaleônica, busca fútil por aceitação. Quando no fundo sempre fomos nossos hiatos, nos definindo pelo que não mostramos, escondidos em nossas próprias sombras.

Tudo isso aqui pode estar errado. Mas não vem não, ser perfeito, me jogar na cara tuas certezas, tua vida de “sempre certo” que parece me dizer que estou sempre errado. Desse jeito, tão ídolo grego, arrisca ver no espelho verdades tão minhas e ficar humano, brincando nos meus tantos erros. Sem me ceder um acerto teu, que seja. Como ousa?

Quem se diz muito perfeito na certa encontrou um jeito insosso, pra não ser de carne e osso.
[Zélia Duncan]

  • post 100% musical, em começo e fim dissonantes.