“Fulano disse que isso aqui é modinha.”

A mente dispara em conclusões mil, é reflexo involuntário. Ela nunca cala. E aí você vai pisando no freio (lembrar de instalar ABS, nota mental) pra começar por descartar toda e qualquer conclusão apressada que lhe ferva o sangue… pra ver, afinal, quais dados talvez suportem a afirmativa que passou tamanho julgamento (e umas dezenas de preconceitos) de forma tão frívola. Sim, esse post sai em defesa de “modismos”, algo raro saindo deste que vos escreve.

Não importa o contexto, se está na moda, é agradável a uma parcela razoável das pessoas. Há uma tendência forte demais em supervalorizar os “formadores de opinião” e a mídia como criadora e destruidora de ícones. A internet deixou isso bem claro, em fazer com que até esses “exemplares” muitas vezes caiam na obscuridade junto com seus exemplos. Manter-se relevante ciclo após ciclo de memes, canais, blogs, reposts e afins tornou-se uma questão de abraçar a novidade de forma quase presciente. Fazer parecer que você É a novidade.

O novo formador de opinião é um surfista de idéias, dependendo mais da onda do que dele mesmo, para manter-se em cima da prancha. Perde o impulso em algumas, sobe em outras. Meio por isso, acredito, a velha mídia impressa chega tão tardia à linguagem hipertexto de forma eficiente. (mas não muito atrás da indústria fonográfica, não é? as duas estavam sem fôlego, já) O planejador e manipulador atrás das palavras impressas não pode se comportar igual, quando está em uma tela. Provavelmente, aquilo sobre o que ele estava escrevendo já passou, antes do ponto final.

Mas e a moda? Ela está no meme, no canal de vídeos com milhão de seguidores, na série de livros não tão BDSM, no programa de televisão que (li num tweet) “faz a pessoa se sentir a mais ciumenta e possessiva da face da Terra”? Não. Ela está em todos os comportamentos que essas mídias retratam, no entanto. Está claramente explícita na outra ponta do confrontamento do senhor idoso que, indignado com o mundo que encontrou ao sair de casa, gritou “Só tem bicha nessa cidade?” e foi autuado por desacato, além de discriminação sexual.

Comecei este post por que depois de pisar no meu freio mental e descartar as conclusões mais imediatas, fiquei na pergunta “Mas ser feliz precisa estar na moda?” E se a primeira resposta pereceu ser “Deveria”, fico com uma melhor: Se é modinha, deixa ser modinha. Muita gente tá feliz assim. E quem julgou tão apressadamente a felicidade alheia, é triste perceber o quanto se parece com o senhor idoso do parágrafo anterior.

  • O amor é a única coisa que nunca sai de moda. [Carrie Bradshaw]

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