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Café e Tapas

Cafeína kink para leitores incautos

Caminho Errado

A história é aquela, repetida em inúmeros episódios: o lugar errado, a hora errada, não importa pra quem seja. Lhe deram um mapa, traçaram várias rotas sensatas e para lá de trafegadas, todas “sem erro”. Um sem número de exemplos desfila à frente dos seus olhos, seja na família, na mídia, na sala de aula. Em todos os moldes, tamanhos, gostos e gêneros. E quando não se chega no lugar esperado, é claro, só se pode concluir que o errado é você. Na mensagem de fundo, o trajeto é mais importante que a pessoa que o está trilhando.

Onde tenha ocorrido o desvio também parece indigno de nota, quando a pergunta mais urgente a se responder é “Onde você está?” Afinal, o foco é resultado, como sempre. Mas qual foi a curva errada? E talvez a análise mais importante: por quê era a errada? Como eu disse, a história repetir-se-á por tantos episódios, então quando que o Pernalonga simplesmente evitará tudo, fazendo a curva à esquerda, em Albuquerque?

Não sei o quão clara essa referência se fará aos milenials, mas o fato é que (muitas vezes para desespero do Patolino) o coelho priorizava por alguns longos minutos desvendar o ponto onde se desviou do caminho. Enquanto isso, o que quer que fosse a ameaça do local desconhecido onde tinha ido parar perdia seu impacto inicial, ao se apresentar tão dramaticamente. O medo e/ou a reação teriam lugar apenas após um célebre “deveria ter virado à esquerda, em Albuquerque.”

As conseqüências em um desenho animado são lúdicas, a moral nem tanto. E em se falando de Looney Tunes, há toda uma moralidade propositalmente dúbia, especialmente para a época. Não apenas na Warner, no entanto. É um imaginário lotado de protagonistas transgressores, motoristas rachadores e um Pateta tão malandro no trânsito quanto nos esportes.

Então, quantos cruzamentos erramos? Pense no que os seus pais esperavam, ou melhor, o que você mesmo sonhava ser com a idade que tem hoje, aos seus 10, 12 anos de idade. De verdade, acredito que provavelmente haverão mais surpresas boas do que ruins, quanto mais fora da trilha se houver caminhado. Representa menos de um esforço de cumprir expectativas alheias e mais do impulso de ir atrás do que se queira, realmente, a cada passo.

Aquele caminho que te mostraram folheado a ouro é cheio de pedágios que não te contaram. Mas sim, está ali pronto e seguro e, no fundo, não há nada de errado em seguir por ele, do ponto a A ao B. Mas vai que haja um ponto G, em algum lugar, e de repente ninguém te contou por que era um tabu sequer falar dele? O quanto você sair da estrada é em si assumir riscos e, convenhamos, ninguém deseja isso para suas próximas gerações. Certamente virão tropeços.

Mas onde quer que você chegue, arranhado, marcado, machucado, talvez se arrastando, vai ter aquele jeito, aquele gosto de conquista. Cada escolha pode ser a errada, mas garanto que nem todas as escolhas certas estão no mapa que te deram. E é por isso que, como Pernalonga, em muita Albuquerque por aí eu viro à direita.

Pelo direito de ser puta…

Em uma era longínqua da humanidade, um adolescente matava aulas do turno da tarde com os amiguinhos pra passar num lugar hoje mítico chamado “locadora” e pegar emprestado (por compensação financeira) filmes pra ver na sala da casa de um deles. Ei, ao menos já era DVD, quando nossa história começa e todo mundo forma aquele semi-círculo com uma panela de brigadeiro e umas tantas colheres, entre a platéia e a tela. O filme era “Procura-se Amy”, de Kevin Smith.

Tentando não dar spoilers (impossível), o momento de maior tensão da coisa é quando o protagonista põe em xeque o passado (incomum e) sexualmente ativo da moça e isso causa conflitos com tons de “mas fez com eles e não vai fazer comigo?” Pois é… aquele eu adolescente foi a única pessoa do recinto a julgar o cara, não a mulher. Revendo anos depois, a narrativa tão claramente empurra o espectador a questionar o protagonista que ainda me espanto com o quanto o status quo ainda força a questão na outra direção, como naquela tarde. Provavelmente a atuação do Ben Affleck não ajudou muito, também.

Mas a verdade é que em pleno 2015 ainda se lida muito com frases (pensamentos) como “A mulher pode fazer o que ela quiser… Mas depois, que agüente.” Veja bem, a primeira parte dessa sentença está corretíssima. Já o que segue, invalida completamente a suposta liberdade proposta, condicionando-a ao que quer que o autor considere justa punição pelo “que ela quiser”. E sabe o pior? Essa questão afeta e limita todas as partes envolvidas, não apenas um gênero.

De quê, afinal, importa o que essa ou aquela pessoa tenha feito, passado, querido, aproveitado, antes? A única coisa que ela precisa ter resguardado, que afete quem quer que surja ou qualquer nova relação é a própria saúde. E mesmo um descuido nesse sentido terá mudado apenas as precauções a se tomar, mas não impede uma vida plena a dois, três, quantos forem… Lavou, tá novo. E se a questão acaba surgindo com muito mais peso para o gênero feminino, é apenas por que culturamente o homem tem direito (quase o dever) de ser promíscuo. Mas, sinceramente, indifere o lado quando a real questão é: quem é você, para julgar a pessoa que não está roubando, matando nem cerceando direitos alheios e paga seus impostos?

Mais insidioso que o julgamento em si é que esse pensamento de meio século atrás torna todos prisioneiros. Você não pode desejar fora da caixa. Se deseja não pode falar. Se gosta, guarda para si. Gostar (e amar) acaba virando isso de se podar pra poupar o outro, sem nunca nem ter a chance de descobrir que de repente esse outro queria (ou até mesmo já fez!) o mesmo (ou pior). Porque vai que de repente uma antiga fantasia/aventura vira julgamento ou, quem sabe, cobrança. Como no filme do começo deste texto, talvez o pior resultado seja um ressentido “fez com outros e não faz comigo?”. A raiz da questão permanece uma só: por medo de ser pouco convencional, todo mundo se poda e as tantas possibilidades não crescem.

Não estou dizendo que todo mundo vai sair querendo (ou necessariamente queira) as fantasias e loucuras e ménages e depravações mais loucas, liberais e suadas… mas todo mundo deveria ter esse direito, aliado ao direito de dizer não. “Se resguardar” não deveria ser uma obrigação a ninguém, mas uma escolha. E é muito fácil, quando confrontado, falar “Eu acho que cada um faz o que quiser…” mas quase sempre isso vem seguido de um tão hipócrita “… mas depois agüenta”, como se estar confortável com a própria sexualidade fosse sim algum crime.

E aí você vai e não faz idéia de quanto os teus pré-requisitos (e preconceitos) te podam de explorar todos os desejos e, principalemente, as possibilidades do outro.

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Outubro salmão-terra

O corpo é um grande tabú. O feminino, então, quase proibido de se pensar sobre. E se já foi dado aqui o conselho de você, moça, “se tocar” que agora se leia em tom de ordem.

Outubro é o mês mundial de conscientização e prevenção do câncer de mama, uma causa bem séria. O quadro, detectado cedo, pode ser acompanhado e tratado de forma muito mais eficaz e, para isso, há uma série de auto exames e sinais precoces. Deixa tuas vergonhas de lado e vai pra frente do espelho, se ver bem e se admirar, assim, de verdade.

Cessa essa guerra contra as tuas travas, por que dentro de você pode haver uma batalha importante, a ser vencida. Você tem todos os meios para isso.

Vai lá e se informa.

Outubro rosa, mas eu uso salmão-terra, mesmo. ;-D

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Pia de louça

No fundo, é essa a real diferença.

Talvez você entendesse, se culturalmente tivesse parte do papel na casa. Se fosse sua uma tarefa apenas.

“Tu é foda, hein cara!” “Deve ser muito maneiro!” “Pô, se deu bem hein!” Sim, essa última frase, talvez. Mas sua admiração, no fundo, ignora que na verdade o que eu tenho é muita sorte. Estas frases normalmente partem só de uma espécie de auto-afirmação do gênero e reforçam um mundo de preconceitos. Pior de tudo, me tornam idiossincraticamente machista, junto com você.

Não é por mal, tenho certeza. Mas não quer dizer q o comportamento não mereça muito a se repensar. Da minha parte, a dificuldade é apontar onde, de verdade, é diferente… Mas se quero um bom ponto de partida, acho que encontrei.

São três pratos, na pia. Na verdade, três de tudo. Três pratos, três copos… Garfos, facas… Me dei conta por acaso. Por que perceber isso me fez sorrir.

Você talvez não entenda, ainda… Mas bem pode começar chegando em casa e lavando a louça.

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Se toca!

É bem isso aí do título.

Todo mundo numa de dar opinião, de ter tanta certeza de como viver/pensar/existir e ninguém se toca. É tanto fiscal da vida (e da foda) alheia que parece que realmente tá tudo bem pra todo mundo. Nada dá errado logo ali, para a tropa do senso comum. O que “sempre foi assim” é esse dogma inviolável, fabuloso. E só me parece que falta algo… e que esse algo é de um potencial TÃO libertador.

Sem querer, disparei uma saudação das antigas: “Que teus filhos tenham um pai rico e mãe maravilhosa.” Fazia um tempo que não soltava essa piada e por isso mesmo, nunca a tinha avaliado pelo quão normativa é. Me coloquei a pensar em qual seria a forma mais moderna de dizer isso. “Que teus filhos tenham pai(s)/mãe(s) rico(s) e mãe(s)/pai(s) maravilhosas(os/xs)?” Mas e quem não quer ter filhos? “Ah, sei lá… que você seja muito feliz com quaisquer escolhas que faça e não minem a felicidade alheia!” Ficou complicado, né?

Então pensei q podia dizer “Se toca!” Por que se muito do problema é falta de sexo (sim, aquele “algo libertador” ali de cima), é claro que a masturbação será parte da solução. Além de haver um desejo genuíno de bem estar, nessa frase tão simplória. Por quê, afinal, o corpo é um tabu tão grande? O PRÓPRIO corpo! Qual o sentido em se haver de regular as sensações que se pode trazer a si mesmo – e, por conseqüência, causar ao outro?

Se conheça. O quanto puder. Tudo o que puder, de pele e suor e mente. Tudo o que te excita precisa estar em você, mais que no outro. Tanto se fala de falta de comunicação, mas qual a qualidade da informação que você tem a passar?

Vai lá… se toca.

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Vamos falar de compersão?

De onde vem o ciúmes? Muito se fala sobre como ele faz parte da saúde de uma relação afetiva, a menos que se torne excessivo. É a premissa de que, em um suposto grau normal, “é bonitinho/carinhoso”, “é um cuidado com o outro”, “é uma expressão do amor”. Só quando é sufocante e limitante que é um problema, afinal. Doença, quase.

Pra mim, é posse, insegurança e ego, tudo junto. Posse em algo que emana de si e se impõe ao outro: o ciúmes é uma ferramenta nada consensual e nem sempre tão sutil, de controle. Insegurança naquilo que emana do outro para você: o ciúmes pode sim ser gerado e alimentado pelo receptor, em suas atitudes e sua postura. Ego em ambos: quem o demonstra se acha merecedor de tudo do outro, quem o recebe se sente importante e necessário. Acho que é sempre limitante e sempre sufocante.

Pior: tradicionalmente, é normal o homem senti-lo. É histeria da mulher fazê-lo. E pouca coisa demonstra tão bem que seja uma ferramenta de controle, afinal.

Detesto escrever essas coisas deixando soar que seja mero observador, olhando o mundo de cima do “asteróide poliamor”. Não apenas por ser pretensioso demais, mas por que todo autor é, atrás das teclas, gente, carne e um mundo de defeitos. Ciúmes é algo que por vezes deixei me transformar em algo que hoje espero conseguir sempre conter. Como? Todo hábito parte de esforço consciente, esse não é diferente. Lembrar sempre que nada é dado sem o devido merecimento e, mais importante, todo gesto é soma, não subtração. Dar de si não significa ter menos, logo ali.

É daí, acho, que parte a compersão. A expressão (compersion) foi cunhada por poliamoristas americanos para descrever uma sensação de bem-estar gerada pela felicidade de quem se ama. É muito associada ao prazer sexual do parceiro com outras pessoas, mas vai além. Sexo grupal e poligamia já têm essa vertente de muito antes, mas normalmente indissociada da questão sentimental. Muitas vezes, a definição dada é “o contrário do ciúmes” e isso por si só soa de uma pretensão imensa. Pensando em “posse, insegurança e ego”, no entanto, acho que realmente soluciona a primeira dessas três coisas (e talvez somente ela).

Para muitas pessoas, soa falso, teatral, como se fosse impossível admirar o prazer alheio a esse ponto, de ter prazer em si. Mas há sim uma beleza na plenitude dos desejos. Se duas pessoas conseguem ser assim plenas, uma para a outra, sem sua própria dose de teatralidade, palmas para ambas. Admirável. Mas ainda acho uma responsabilidade um tanto pesada, ser O TUDO do outro. E mais do que isso, bastante improvável que esse raro fenômeno ocorra em mão dupla.

Um argumento comum contra a compersão é de que “não é tão fácil dividir”. Não mesmo. Então que tal parar de pensar em subtração (e conseqüente divisão) e trocar isso para a soma (logo, multiplicação)? Sem a responsabilidade de ser TUDO, você aprende a tentar sempre ser MAIS. A pretensão aqui é fazer soar evolutivo, de certa forma, aceitar esse sentimento. Mas o fato é que ele existe, em muitas pessoas.

Poligamia, poliamor e até voyeurismo trazem uma carga mais óbvia, disso. Mas consegue lembrar de alguma vez que você mostrou a alguém que amava algo novo e surpreendente e viu na pessoa aquele brilho no olhar? Aquele sorriso incontido? Seja uma música, um livro, um filme, uma paisagem… ali, você entendia que estava somando. Esse é um prazer que você cedeu, mais do que deu, por que mesmo sem você aquilo permanecerá. E pelo mero fato de não ter uma figura humana, você aceita… com talvez só um pouquinho de ciúmes.

compersion

Kamikazes…

“Eu só sou responsável pelo que falo, não pelo que você entende!”

Errado. Pra caralho. É fácil demais dizer as coisas certas da forma errada, no momento errado, com a entonação errada e, principalmente, com intenções egoístas. Dizer o certo só pra ser quem disse ou reitera o certo, sem que isso em nada acrescente a quem ouve, mas enaltecendo sempre o locutor.

Esse é um pecado muito meu, na verdade, e é estarrecedor o quanto eu sei que o faço de propósito, tantas vezes. Mas não estou aqui pra falar de provocações e sim de detalhes. O que se diz nem de perto importa tanto quanto como se diz. É o que se situa na distância entre intenção e gesto, tudo aquilo que faz parte do dizer e o que cada coisa comunica.

Você se treina, de verdade, às melhores formas de passar a mensagem? “Não! Eu sou autêntico!” Ou talvez você apenas seja rude, mal educado(a), desatencioso(a)… Tudo comunica, afinal. Principalmente algo que se faça/fale/demonstre para em seguida esperar retorno. Ação X Reação não quer dizer que se terá o esperado, ao final da equação. E querer diferente é negar a liberdade do outro.

Então pense somente em fazer o SEU melhor, que tal? Provável que nem todo mundo mereça o esforço, mas como você vai saber quem é quem se nem começar direito? Você não está “se guardando”, está se podando. Muitas vezes, por motivos também culturais, um recatamento tão lugar-comum. Perceba, a mesma diferença entre o que se diz e como se diz está refletida na dicotomia do quem se é e quem se mostra. E quem se é, sempre é tão falho…

Faz o seguinte? Se edita. Não pra disfarçar e mentir, mas pra ser de uma verdade mais agradável. Não pra esconder e poupar, mas pra ser aquela sombra de curiosidade, como nas cortesãs que buscavam a meia-luz perto das cortinas. Deixa todo o resto pra quando se despir e as palavras nem forem mais importantes.

Mas até lá, por muitos momentos, seja sim o melhor e mais intenso que puder ser. Se não no dito, no olhar. Se não no olhar, no toque. Leve todo o tempo que precisar, se não souber ser breve. E se algum tempo parecer tempo demais, saiba: está fazendo errado. É preciso tempo pra se fazer direito.

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 foto de wphotography

Perfection?

Nada é mais triste que a morte da ilusão. [Guilt Machine]

Não me venha com perfeições, porque eu mesmo sou tosco e falho e rachado e imperfeito e, estranhamente, feliz assim. Não vem sendo sem defeitos nem intocável nem celestial pra cima de mim, pois só com palavras é muito fácil, aí vem a pele e arrisca estragar tudo. Vem presença lembrar que você respira, sua, dói… e é TÃO importante, o suor, a dor, o fôlego!

É difícil, não querer ser ideal, não aproveitar o anonimato da tela pra virar construto do que o outro lado espera. Mas se vier me encontrar, traz tua marreta, se arma do teu pior e me quebra. Sem medo. Porque eu decididamente vou querer fazer o mesmo. Descobrir o que pulsa por baixo, afinal. Quê me diz de cairmos juntos do pedestal, só pra testar se não temos mesmo asas?

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Porque pesar o tempo todo tudo o que te digo contra o que realmente sou? Por quê te disse diferente, em algum momento? Vai ver a gente se moldou, aproveitando que um dia disseram que fomos barro. Nos pintamos mil cores em clara síndrome camaleônica, busca fútil por aceitação. Quando no fundo sempre fomos nossos hiatos, nos definindo pelo que não mostramos, escondidos em nossas próprias sombras.

Tudo isso aqui pode estar errado. Mas não vem não, ser perfeito, me jogar na cara tuas certezas, tua vida de “sempre certo” que parece me dizer que estou sempre errado. Desse jeito, tão ídolo grego, arrisca ver no espelho verdades tão minhas e ficar humano, brincando nos meus tantos erros. Sem me ceder um acerto teu, que seja. Como ousa?

Quem se diz muito perfeito na certa encontrou um jeito insosso, pra não ser de carne e osso.
[Zélia Duncan]

  • post 100% musical, em começo e fim dissonantes.

Não seria a moda ser feliz, afinal?

“Fulano disse que isso aqui é modinha.”

A mente dispara em conclusões mil, é reflexo involuntário. Ela nunca cala. E aí você vai pisando no freio (lembrar de instalar ABS, nota mental) pra começar por descartar toda e qualquer conclusão apressada que lhe ferva o sangue… pra ver, afinal, quais dados talvez suportem a afirmativa que passou tamanho julgamento (e umas dezenas de preconceitos) de forma tão frívola. Sim, esse post sai em defesa de “modismos”, algo raro saindo deste que vos escreve.

Não importa o contexto, se está na moda, é agradável a uma parcela razoável das pessoas. Há uma tendência forte demais em supervalorizar os “formadores de opinião” e a mídia como criadora e destruidora de ícones. A internet deixou isso bem claro, em fazer com que até esses “exemplares” muitas vezes caiam na obscuridade junto com seus exemplos. Manter-se relevante ciclo após ciclo de memes, canais, blogs, reposts e afins tornou-se uma questão de abraçar a novidade de forma quase presciente. Fazer parecer que você É a novidade.

O novo formador de opinião é um surfista de idéias, dependendo mais da onda do que dele mesmo, para manter-se em cima da prancha. Perde o impulso em algumas, sobe em outras. Meio por isso, acredito, a velha mídia impressa chega tão tardia à linguagem hipertexto de forma eficiente. (mas não muito atrás da indústria fonográfica, não é? as duas estavam sem fôlego, já) O planejador e manipulador atrás das palavras impressas não pode se comportar igual, quando está em uma tela. Provavelmente, aquilo sobre o que ele estava escrevendo já passou, antes do ponto final.

Mas e a moda? Ela está no meme, no canal de vídeos com milhão de seguidores, na série de livros não tão BDSM, no programa de televisão que (li num tweet) “faz a pessoa se sentir a mais ciumenta e possessiva da face da Terra”? Não. Ela está em todos os comportamentos que essas mídias retratam, no entanto. Está claramente explícita na outra ponta do confrontamento do senhor idoso que, indignado com o mundo que encontrou ao sair de casa, gritou “Só tem bicha nessa cidade?” e foi autuado por desacato, além de discriminação sexual.

Comecei este post por que depois de pisar no meu freio mental e descartar as conclusões mais imediatas, fiquei na pergunta “Mas ser feliz precisa estar na moda?” E se a primeira resposta pereceu ser “Deveria”, fico com uma melhor: Se é modinha, deixa ser modinha. Muita gente tá feliz assim. E quem julgou tão apressadamente a felicidade alheia, é triste perceber o quanto se parece com o senhor idoso do parágrafo anterior.

  • O amor é a única coisa que nunca sai de moda. [Carrie Bradshaw]

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